segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aqui estou só.


O outono tem sido difícil, nenhuma estação foi fácil, mas antigamente eu não tinha muito a perder.
Eu sorria com qualquer abraço, qualquer aperto de mão, qualquer demonstração de afeto, mesmo que não fosse comigo.
Eu fazia o estereotipo ‘forte’ mas isso me tornou amargurada.
Eu segurava todas as lágrimas até chegar o meu limite.
Atrás dessa mascara de forte havia um ser vulnerável, com sentimentos, emoções, dores, um ser fraco e humano.
Eu me perguntava quem seria o homem que me fazia chorar, me encolher no escuro, me fazer ouvir músicas que eu mesmo julgava clichê.
Me pergunto de que me vale os olhos se eu não posso vê-lo, de que me vale os braços se eu não posso o abraçar, de que me vale os lábios se eu não posso beijá-lo ou falar coisas bobas aos seus ouvidos, de que me vale a imagem de forte se eu sou fraca?
Eu dizia ‘um homem nunca vai me fazer chorar’, como se hoje isso fosse uma opção.
Sabe, eu amava segurar na sua mão, eu amava cada parte do seu corpo como se fosse o meu, me era necessário cada pedaçinho seu.
Você ria e me chamava de boba, mas sabe, eu nem sempre fui assim, eu nunca dei espaço para ninguém me tocar, me amar, me machucar.
Você me obrigou a andar novamente sozinha, você me obrigou a seguir em frente.


Texto de uma estação passada que só agora senti que deveria postar.

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"Eu dou as costas mesmo, vou embora de mansinho e nem digo tchau, porque se eu disser me sinto quebrada ao meio. E eu vou, mas vou inteiro. Talvez eu tenha aprendido a ter menos amor, só pra não deixar que esse amor, deixasse de ser amor."


Sabe, eu sei que esses dias turvos que nos acalantavam me silenciou, não por destreza ou por infidelidade confidencial, mas porque todo mundo deixa, se despede e vai embora, mesmo que não seja inteiro, mesmo que ainda sim, não se pertença. Eu me pertenço agora, na verdade sempre me pertenci, porque conheço a dor como ela é, conheço cada pedaçinho que faz com que eu me sinta vivo e até aqueles pedaços que me fazem cair morto, sem redes que me prendam. Você foi uma rede por muito tempo, não me deixou cair, mas também pudera era uma rede forte e segura até que eu destroçasse ao meio, dizem por aí que quem ama aceita e segura, mas quem é capaz de segurar tudo por amor? Talvez, eu não seja capaz.

Texto um pouco antigo.